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Greve no Hospital Regional pode ter início na próxima terça-feira (10)

Aprovada por unanimidade, o motivo da paralisação seria a grave situação da falta de pessoal e de insumos para o atendimento à população. O sindicato avalia que o sucateamento é para justificar a terceirização

Publicado: 04 Dezembro, 2019 - 15h44

Escrito por: Sérgio Souza Júnior

Sérgio Souza Júnior
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Votação da Aassembleia

Na manhã desta quarta-feira (4), foi realizada a Assembleia Geral Estadual dos servidores do HR-MS, que deliberou sobre as péssimas condições de trabalho, há meses o sindicato da categoria vem alertando que o #HospitalRegionalPedeSocorro.

Por unanimidade, os servidores aprovaram o indicativo de greve para a próxima terça-feira (10).

Na prática, a categoria cumpre assim o rito legal de um processo grevista e pode dar início à greve através de decisão em nova Assembleia, que foi convocada para às 7h da manhã do dia 10 de dezembro.

Os sindicalistas argumentam que a partir de agora, o governo terá 72 horas para se manifestar sobre alguma atitude que o poder executivo possa tomar para melhorar esta situação.

A crise no HR foi parar na imprensa, que vem reportando paulatinamente as dificuldades dos servidores, fato que motivou a paralisação do PAM (Pronto Atendimento Médico) no dia 21 de novembro, durante uma hora no período da manhã e no período da tarde.

A direção do SintssMS (Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social de Mato Grosso do Sul) avalia que esta situação teria como objetivo a justificativa para a terceirização do HR-MS, entregando a gestão pública à sanha dos lucros de uma OS (Organização Social de cunho privado), como funciona em Ponta Porã.

Conforme Ricardo Bueno, Presidente do SintssMS, o governo defende o modelo de OS, porém “eles não levam em conta os serviços de alta complexidade que nós temos no HR-MS, se você olhar o custeio do HR-MS quando você fala em Mat-Med [materiais e medicamentos] é muito menor do que na terceirizada, em Ponta Porã por exemplo, eles gastam R$ 3 milhões de reais, com 110 leitos sendo 10 leitos de UTI, aqui no Hospital Regional de Campo Grande nós temos 345 leitos sendo 60 leitos de UTI e o custeio Mat-Med e contratos hoje tá em torno de R$ 6 milhões e meio, e tudo com alta complexidade aqui dentro, qual o hospital mais barato se não é o Hospital Regional Público?”.

“O governo não senta na mesa porque estes números são transparentes, estão no portal transparência, a gente só quer o diálogo, com honestidade. Estamos abertos à negociação, mas nós queremos negociar com o governador, ele que prometeu que não ia terceirizar o hospital” afirmou Bueno.

Alexandre Júnior Costa, diretor de finanças do SintssMS reforçou que “é importante frisar para a população que este movimento é por condições de trabalho para salvar vidas, não estamos com uma paralisação na pauta por conta de aumento de salário. Agora nós vamos encaminhar quatro documentos, um para Governadoria, Secretaria Estadual de Saúde, Direção do Hospital Regional e Ministério Público, comunicando que na próxima terça-feira (10), haverá uma assembleia, e nesta a categoria vai decidir se para ou não”.

Dependendo da resposta do poder executivo, na próxima terça-feira (10) a categoria vai deliberar se deflagra ou não a greve.

Na possibilidade de votação pela greve, esta terá início imediatamente à decisão.

O Hospital Regional é um patrimônio do povo sul-mato-grossense, ele é responsável por 22% dos atendimentos em Campo Grande. O HR-MS é referência em atendimentos de oncologia adulto, pediatria, hemodiálise, tratamento de feridas, entre outros. 

Sérgio Souza JúniorSérgio Souza Júnior
Assembleia

 

Precarização da saúde 

Diante do descaso que os servidores vem sofrendo com falta de pessoal e de insumos, inclusive remédios, e também por sequer serem recebidos pelo governo do estado para a busca de uma solução. 

O SintssMS convocou a Assembleia Geral Estadual desta quarta-feira (4) para debater os próximos passos do movimento dos servidores, que buscam apoio da sociedade para defender o Hospital Regional em busca de sua recuperação. 

Por conta da gravidade da situação, o Coren-MS (Conselho Estadual de Enfermagem) notificou o Hospital Regional sobre a falta de pessoal, e agora a direção do HR-MS alega que está buscando novas contratações para resolver o grande déficit de funcionários que está causando sobrecarga de trabalho e impactando o atendimento à população.

O sindicato avalia que o grande problema enfrentado pela saúde pública é que o estado brasileiro não assume sua responsabilidade com o serviço público.

Isto acaba sucateando o ambiente de trabalho e piorando cada vez mais as condições de atendimento à população, e servem de justificativa para a terceirização pelos governos. 

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Ricardo Bueno, Presidente dop SintssMS
sÉRGIO sOUZA jÚNIORsÉRGIO sOUZA jÚNIOR
Diretores do SintssMS